quinta-feira, 10 de junho de 2010

Camisas 10

Considerada uma das mais sólidas do futebol atual e apesar de muito festejada na Copa 2010 a defesa não representa a tradição da Seleção Brasileira. Ainda que alguns laterais tenham figurado na história entre os melhores do mundo, a fragilidade da zaga do Brasil sempre foi notável. Não que nosso futebol não crie bons zagueiros, mas sua principal commodity é a ‘Camisa 10’.


A vocação criativa do brasileiro é invejada no mundo todo. O talento e a técnica em favor do desequilíbrio tático dos esquemas. O meia-armador, o meia-atacante, o volante-ofensivo, o ala-avançado, o ponta-de-lança. Jogadores habilidosos e imprevisíveis programados para furar as defesas adversárias. Não à toa, os jogadores brasileiros que mais se destacaram no futebol mundial atuavam nessa função, desde Zizinho, ídolo de Pelé, aos dois representantes brasileiros na Copa da África. Kaká pelo Brasil. Deco por Portugal.

As maiores Seleções do Brasil tiveram mais de um ‘Camisa 10’ no time. Quase sempre foi assim. Garrincha, Didi, Pelé, Gerson, Rivellino, Zico, Sócrates, Rivaldo, Ronaldinho. Em dupla, trio, quadra, destruíram oponentes. E excelentes ‘Camisas 10’ ficaram de fora dessa Copa como Ronaldinho, Alex, Juninho, Diego, Ganso, Hernanes. Talvez não tenham o perfil pré-requisito aos convocados por Dunga. Talvez dispensável para um “Camisa 10”. Tranqüilo, elegante, quase invisível, mas imprescindível para a maioria dos esquemas. Holofotes para os verdadeiros pop stars, os atacantes.

Apesar de ser disputado pelas maiores forças do futebol moderno o atacante brasileiro é uma falácia. Centroavante é uma raça em extinção em nosso futebol e a safra de bons atacantes anda definhando cada dia mais. Parece que a badalação em torno da artilharia e a mítica relação do futebol brasileiro com o gol ofuscaram nosso maior produto nacional: o “Camisa 10”. No entanto, a exportação de excelentes goleiros, zagueiros e volantes para os clubes mais poderosos do mundo deixam o Brasil muito confortável quando o assunto é o sistema defensivo.

Então fica fácil, porque historicamente o sistema defensivo sempre foi o calcanhar de Aquiles da Seleção Brasileira e agora temos peças de sobra com qualidade pra formar algumas Seleções distintas, se necessário fosse. Além da insistente tradição de produzir bons meia-atacantes criativos e habilidosos. A infinita capacidade de produzir arte no futebol. Ao invés disso, vamos sofrer muito nessa Copa porque a CBF e Dunga assim quiseram.

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