terça-feira, 18 de maio de 2010

Seleção Natural

Nada chama mais atenção no mundo. Nada. Nem Olimpíadas, nem terremoto, nem Eleições. Nem uma guerra esvaziaria ruas como em dias de jogos da Copa do Mundo. E até mesmo guerras e conflitos são esquecidos ou postos de lado para a convocação da Seleção Nacional. A seleção dos melhores futebolistas de cada país.

Independentemente de qualquer coisa. De raça, de crença, de ideologia. Do que queira Tia Chica ou Garrastazu Médici. É a seleção dos melhores do mundo em suas posições. Está acima de Deus e dos homens. É a seleção dos mais bem adaptados ao meio. É a seleção natural, de Charles Darwin. Com a convocação da Seleção Brasileira, Carlos Verri, o Dunga, contesta a Seleção natural Brasileira e corta o laço evolutivo com a essência do escrete canarinho.

Dunga desprezou o futebol brasileiro que é valorizado em todo o mundo e usou critérios mais divinos em sua Convocação. Criou sua seleção à sua própria imagem e semelhança. Assim, essa não é a Seleção natural Brasileira. Obviamente não é culpa do Dunga. A engrenagem precisa de um bode. De um funcionário padrão. “Sou funcionário da CBF”, disse ele na coletiva do dia 11 de Maio. Como volante, sempre foi limitadinho. Não vai decepcionar como técnico. Medíocre.

O futebol brasileiro que gostaríamos de ver na Seleção vive quase todo na Europa. Em 2008, dos 1.176 produtos de exportação, 762 desembarcaram por lá. Mil atletas em média são transferidos para o exterior todos os anos, desde 2003. De lá para o final de 2010, pelo menos 8 mil jogadores brasileiros terão sido despejados no mercado internacional da bola. Esses números são da própria CBF. Achar 23 craques nesse bolo é mais fácil do que 23 ‘dungas’.

Difícil mesmo é fazer alguém que nunca foi treinador montar uma equipe de craques brasileiros pra jogar com a criatividade e eficiência de um Barcelona, por exemplo. Não é que seja pra reinventar a roda e montar um novo Carrossel Holandês ou reeditar as Seleções de 70 ou 82. O que seria bastante razoável. Mas, é apenas fazer uso do talento natural do jogador brasileiro que não se encontra em nenhuma outra equipe do mundo.

Pra encontrar o futebol perdido da Seleção tupiniquim, só apelando para os jogos dos clubes com brasileiros espalhados no mundo transmitidos pela TV. Os torcedores mais moços nem conhecem o ritual de assistir a um bom jogo de futebol num estádio. Um dia torce pra defesa da Inter de Milão e Benfica. No outro, pro meio campo do Fenerbahçe e Milan. No fim de semana, pra ala do Barcelona. Com alguma sorte dá pra torcer pro ataque do Santos.

Paradoxalmente, o futebol bonito e criativo, o futebol arte que chama atenção e valoriza o nosso futebol, que separa o futebol do Brasil do futebol pasteurizado e burocrático de outras praças, o futebol que enche de orgulho e desperta a paixão do povo, o futebol que aproximam torcidas rivais, o futebol que atrai quem não sabe absolutamente nada de futebol, não é o futebol escolhido pela gerência da Confederação Brasileira.

Se o futebol da Seleção dá pro gasto, os negócios da CBF dão muito mais. A receita anual de mais de 200 milhões de Reais só vai crescer até a Copa do Mundo de 2014, ano do centenário da Seleção Brasileira. 1 bilhão de Reais. É um negócio bilionário que poderia ser tratado de modo diferente. E porque somos o melhor futebol do mundo, poderíamos fazer uma coisa muito mais interessante do que esse feijão com arroz que nos colocam goela abaixo.

Os jogadores e a Comissão Técnica da Seleção Brasileira de Futebol não precisam necessariamente ser os melhores do mundo em suas posições. Mas formam a seleção dos mais bem adaptados ao meio do Futebol do Brasil.